“Sou Psicólogo e não empreendo”

soupsicologoenaoempreendo

Não, essa frase não é minha. Na verdade eu tenho um amigo que é psicólogo e ele chegou a essa conclusão em uma conversa que tivemos sobre sua carreira.

Conheci o Luiz Gustavo, mais conhecido como Guto, há uns 9 anos atrás (eu acho). Eu ainda morava em Foz do Iguaçu e ele ainda cursava o curso de psicologia. Mesmo agora eu morando em Curitiba e ele em Foz, continuamos com a mesma amizade. Sempre conversamos sobre carreira, empreendedorismo e fui surpreendido quando recebi esse texto feito por ele, falando sobre ser psicólogo e não empreender:

 Desde a minha adolescência, sonhava em fazer faculdade de psicologia. Pra mim, ser psicólogo era abrir um consultório, atender semanalmente pessoas com problemas emocionais e psicológicos e ganhar muito dinheiro. Todo adolescente (ou quase todo) sonha em sair do ensino médio e começar uma faculdade e eu não era diferente.

luiz gustavo psicologo

Quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa
Considerando a condição financeira de meus pais, logo percebi que pelo valor da mensalidade do curso de psicologia, eu teria que escolher outra profissão. Pensei em administração de empresa (que muitos pensam ser a opção de quem não tem opção, e hoje eu sei que não é). Pesquisei muitos cursos: historia, letras, artes cênicas, entre outras, depois me dei conta que mesmo com muita dificuldade não caberiam no meu bolso.

Eu morava no interior de São Paulo (Jaú, minha terra natal, de onde escrevo neste momento por estar de férias) e nesta cidade não haviam muitas opções de faculdades públicas. Aliás, só existia uma opção: FATEC. E foi lá que eu fui parar. No meio do ano fiz o vestibular no curso de Logística, que não tinha nenhuma característica que me atraísse, exceto o status de faculdade pública (e não ter mensalidade pra pagar, claro). Passei em 3º lugar no vestibular e fui me aventurar naquele curso que só tinha disciplinas contendo números e nem preciso dizer que foi uma experiência desastrosa.

Das 6 matérias, só consegui passar em uma delas (teoria geral da administração), as demais todas eu reprovei (matemática, matemática financeira, contabilidade, estatística e cálculo I). Pois é… frustração total.

Nem tudo é tão ruim que não possa piorar!”
Além do curso não ser o que eu sonhava pra mim, no início do ano seguinte (2006) fui chamado pra servir o exército (tiro de guerra) e isso pra mim era terrível, pois perdi meu estágio remunerado devido a incompatibilidade de carga horária. Agora sim, o pesadelo estava completo: Curso errado. Servindo o exército (entenda-se muito sofrimento pra quem não quer este tipo de atividade em sua rotina diária) e sem grana…o que mais me faltava? (Ah, claro, vale salientar que eu não tinha namorada, e isso para adolescente é terrível!)

Quando tudo parece errado, acontecem coisas extraordinárias que não aconteceriam se estivesse dado certo.
Bom, aqui começa a história que eu tanto quero contar, tudo parecia perdido, quando em fevereiro de 2006  recebi uma carta do PROUNI, dizendo que havia sido contemplado com uma bolsa integral do curso de psicologia. Porém, era em Foz do Iguaçu – PR. Mais que depressa, solicitei dispensa no exército, justificando a necessidade de mudar de município e preparei minhas malas. Lá fui eu para Foz do Iguaçu fazer a faculdade dos meus sonhos.

guto_foz

Pulando o sofrimento dos meus pais pela partida e minha choradeira durante toda a viagem (que foi inevitável) eu fiz o curso que eu sempre sonhei. Cinco anos se passaram depressa até demais. Em fevereiro de 2011 eu me formava em psicologia, com minha família toda  para me prestigiar.

Na teoria, a prática é outra
Ao me formar, como disse no início, todos esperavam que eu abrisse uma clínica, na qual teria meus pacientes semanalmente ali para serem atendidos e seria um terapeuta renomado com um cachimbo na boca. Graças a Deus, não foi nada disso que aconteceu.

Devido aos estágios que havia feito em diversas áreas, vi que a clínica não era a opção mais segura (até porque ninguém fica rico clinicando). Logo de cara fui trabalhar em um programa do município, como psicólogo escolar. Realizei este trabalho por dois anos e vi o quanto é apaixonante lidar com professores, alunos e familiares. Em seguida, fui contratado por uma ONG para trabalhar com acolhimento institucional de crianças e adolescentes e me encantei ainda mais pela área. Mais algum tempo com este trabalho, fui trabalhar como psicólogo do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora e fui descobrindo que verdadeiramente não fui eu quem escolhi a área social, mas sim a área social é quem me escolheu.

psicologo e nao empreende

Durante esse período (quase cinco anos), tive diversas oportunidades de atender na clínica particular e aprendi muito com meus adoráveis pacientes. Porém, confirmei a minha hipótese de que não se pode ficar rico clinicando, aliás não se pode ficar rico sendo Psicólogo. Hoje posso dar graças a Deus que não trabalho somente pelo dinheiro, mas sim pelo amor à minha profissão. Se quiser atender bem, tem que ser pelo amor ao atendimento e ao bem estar dos pacientes.

No final deste ano comemoro 05 anos de graduação, e percebo que a psicologia nos oferece inúmeras possibilidades: já atuei como psicólogo escolar, apliquei testes em concurso público, atendi na clínica, faço palestras em empresas, escolas, para pais em ONGs com os mais variados temas e atuo como psicólogo social em uma ONG que cuida de crianças e adolescentes.

Ainda não me arrisquei a lecionar, pois ainda acredito precisar de um preparo bem maior, mas confesso que seria uma realização e tanto.
Desta forma, descobri que é possível ser psicólogo e não empreender, sem se frustrar e por isso sou muito feliz por ser um psicólogo!

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Gostou da história? Vamos adorar conhecer um pouco da sua, deixa nos comentários um pouco da sua trajetória 😉

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Jader Galhardo

Eu não empreendedo, e é daí que criei o blog. Graduado em marketing e apaixonado por criatividade e inovação. Blogueiro nas horas vagas e vendedor em todas as outras.

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